terça-feira, 16 de novembro de 2021

Celebrar sem Ti

Hoje devíamos celebrar as duas.

Celebrar a vida. A tua e a minha.

Eras a primeira pessoa a telefonar-me, feliz por veres ser acrescentado mais um ano à minha vida. E eu dava-te os parabéns porque sem ti, eu não era eu.

Este ano é tudo diferente. 

Tu não estás. nem longe nem perto.

Partiste. E pela 1ªvez não oiço a tua voz, não recebo o teu postal, não almoçamos, não bebemos a nossa sangria, não me fazes um bolo ou o teu famoso arroz doce. Nada.

Como é que a vida continua depois de tu deixares de estar?

Continua. Um dia de cada vez. Sabendo que não podias sofrer mais, que o teu corpo cedeu e que respiraste pela última vez com a paz que pediste para a tua partida.

Este ano não faço festa. Não quero, não me apetece.

Para o ano talvez. 

Talvez consiga perceber melhor como celebrar sem ti. Sem a tua vaidade na minha pessoa, sem o teu amor incondicional, sem o teu apoio. Sem a tua voz radiante só por estarmos a conversar ao telefone ou o teu sorriso iluminado sempre que me vias.

Viver sem o teu amor sempre presente.

Não posso celebrar quando a dor da tua ausência é mais forte.

Apesar de tudo isto, consigo estar grata por mais um ano, pelo dia de sol incrível que temos hoje e porque foste a melhor Mãe que eu podia ter tido, escolhido, criado, inventado ou imaginado. Obrigada.

Cheguei até aqui. Espero continuar a ser o teu orgulho e que vejas refletida em mim a tua mansidão, a tua coragem escondida e a tua presença simples mas inigualável.

Parabéns Mãe. E que para o ano seja mais fácil celebrar.

Amo-te.

P.S.: Até já.





terça-feira, 13 de abril de 2021

Carta de Amor

Querida Mãe

passaram 105 dias, 4.375 horas e 7.291,667 minutos desde que recebi o telefonema de uma médica, que com o maior do carinho, do respeito e de humanidade me informou que partiste. 

Deixaste de viver. 

Faleceste. 

Morreste. 

Foste embora. 

Descansaste por fim. 

Deixaste de sofrer. 

E o meu Amor por ti cresceu.

Parece estar tudo um pouco melhor do que nos primeiros dias, mas ao mesmo tempo tomo cada vez mais consciência da tua ausência.

Tentei enganar-me durante uns tempos e pensar que tinhas ido fazer uma das tuas viagens e que logo regressarias com presentes e aventuras para contar.

Pensei e penso inúmeras vezes, a cada toque do telefone que és tu. 

Que te vou ouvir, ouvir o sotaque que nunca perdeste, ouvir as perguntas de como estou, ouvir como passaste o dia, quem encontraste na rua e quem te telefonou.

O telefone toca, mas nunca és tu...não és tu a chamar-me Gabyzinha, não és tu a dizer-me coisas bonitas ao ouvido, não és tu a dizer-me que fui a melhor prenda que recebeste, não és tu a lembrar-me o orgulho imenso que sentias por seres minha Mãe.

Nestes 105 dias aconteceram tantas coisas que já não te posso contar. 

Perdemos o melhor dos homens, o nosso Tio Quim, perdemos a Graça e agora o nosso Roy também partiu. 

O meu mundo está substancialmente mais pobre... está diferente e de certeza a preparar-se para algo novo e maior. É esta a esperança que me empurra e impele a seguir..

Penso nos nossos últimos dias juntas e a única coisa que me ocorre é um sentimento fortíssimo de gratidão.

Por ter tido a oportunidade de cuidar de ti, de lavar o teu corpo, pentear o teu cabelo, borrifar-te com o teu perfume. 

E se de outra forma não consegui dizer mais vezes que te amava, penso que os momentos de intimidade que partilhámos o disseram por mim.

E de todas as vezes que me agradeceste pela minha dedicação a ti e te respondi que não era para agradecer, estava a ser sincera. 

O Amor não se agradece Mãe. 

Vive-se. Todos os dias.

E cada dia o meu Amor por ti cresce.

Até sempre. Até breve. Até já.

Estás no meu coração.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Dizer Adeus Devagarinho

 A morte chegou.

Foi-se anunciando com suavidade, de maneira que eu e tu nos pudéssemos despedir, sem pressas ou grande choque.

O dia chegou, 29 de dezembro de 2020. Hoje faz precisamente 1 mês.

1 mês de "guerras internas", do chora ou não chora.
De arruma, dá , deita fora, oferece.
E 1 mês de te conhecer melhor do que eu julgava ter conhecido nestes 47 anos de relacionamento que nos foi permitido ter.
Todos os que me falam de ti, mais conhecidos ou menos, mais próximos ou não, lamentam a tua partida sempre com as palavras paz, tranquilidade e serenidade a acompanhar o teu nome.

Despedi-me conscientemente de ti na véspera de Natal, achando que o dia do Adeus estava a chegar, sorrateiro e anunciando-se com o aumento do teu sofrimento, a fraqueza na tua voz e a certeza a instalar-se no meu coração que muito em breve teria de ver-te partir.

Umas semanas antes tinha comentado cá em casa, que para mim 2020 não seria o ano do COVID-19, seria o "ano da minha Mãe". 

E assim foi. Assim ficará gravado na minha memória. 

Que enquanto o mundo inteiro travava a batalha mais inesperada de sempre, tu partias da minha vida, dos meus telefonemas, da minha casa, da tua casa e de tudo o que fazia parte de ti e de mim.

Hoje abri o teu roupeiro, apenas para te cheirar e ser transportada a outra vida, celebrar a pessoa que foste e és em mim, para sempre.

As vezes que nos últimos dias  me disseste: "obrigada minha filha, minha Gabyzinha, por tudo o que tens feito por mim" e eu apenas te respondia que não era para agradecer. 

Será que sabias que eu seria capaz de muito mais (se fosse possível), para que tudo ficasse bem e tu não tivesses de sofrer?

Posso não saber grande coisa, nem ter grandes certezas, mas sei que eras uma Mãe cheia de orgulho em mim. E eu pergunto: o que posso querer mais?

Obrigada por teres sido minha Mãe!

Digo-te adeus devagarinho. Todos os dias mais um bocadinho.



segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Hoje é o Meu Dia!


Vejo que a última vez que aqui escrevi foi há mais de 3 anos...
Adiante. 

Constato que durante a minha ausência este blog continuou a ser visitado e a quem o tem feito, o meu OBRIGADA! Já são mais de 26.800 visualizações e se eu soubesse que tinha tantas visitas, apesar dos poucos seguidores, talvez não tivesse feito este interregno tão grande...ou talvez sim. Quem sabe? Ninguém!!

Hoje quero ser narcisista e escrever sobre mim. 
Acho que posso e que ninguém me vai levar a mal. 
(Afinal, este blog ainda é meu, apesar de eu já não escrever aqui nada desde fevereiro de 2017).

Hoje celebro aqui e pela escrita, os meus 47 anos.
47 intensos anos, que me trouxeram tudo em doses industriais. 
Não me posso queixar de ter uma vida monótona, simples, fácil ou sem sabor. 
NÃO! Nada disso!

Costumo dizer que a minha vida dava um livro ou vários.

E esta vida tem sido feita de tantas coisas, tantas pessoas, acontecimentos, gestos, decisões, ganhos, perdas...e no fim de tudo, fico eu. 

Nos últimos tempos, tenho aprendido muitas coisas acerca de mim, através dos outros.
Do que dizem sobre a minha pessoa, o que pensam. 
Fico muitas vezes surpreendida com eles e comigo mesma. A sério!
E as palavras dos outros por vezes atingem pormenores que eu nunca pensei ser ou ter.
E é nos pormenores que está a riqueza.

Descobri ultimamente que também já não sou a mesma pessoa que era. Ou melhor, sou. Mas com algumas diferenças e não, não falo dos cabelos brancos que insistem em multiplicar-se, falo de quem eu sou. De quem eu me tornei.

E parece-me positivo, chegar ao dia de hoje e gostar de mim, de quem sou, do que tenho em mim e comigo. E ler-me nas palavras de outros, com tanto carinho, amizade e amor faz-me pensar que afinal devo andar a fazer alguma coisa bem.

Esta vida tem-me proporcionado as coisas mais incríveis que eu posso viver.
E só por isso tem valido a pena.

A quem inventou a história da minha vida digo que teve uma imaginação incrível e só lhe posso dizer: Obrigada!

A todos: Um brinde à vida com sangria de espumante, feita por mim, de preferência no lugar do meu coração (que quem me conhece bem sabe qual é) e que os sorrisos, a cumplicidade e a amizade verdadeira nos acompanhem!

Este ano é tudo diferente. Mas não faz mal. É só mais um pormenor para acrescentar à minha história.

Até já!
(Prometo que é um até já rápido!!)



sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

80 anos de Ti. Como serias agora?

Hoje é o dia em que irias completar 80 anos.

Vivo quase há tantos anos sem ti como aqueles que vivi contigo. 
E penso que agora que sou uma miúda quarentona, seríamos grandes compinchas, de risota e palermices.
Compinchas de gargalhadas e de projetos mil e sei com toda a certeza que me acompanharias nos meus sonhos, por mais loucos ou irrealizáveis, porque se há coisa que sempre te distinguiu foi a tua capacidade de concretizar o que mais ninguém considerava possível.
Foste muito à frente do teu tempo. 
E como eu sinto a tua falta.

Imagino como serias...
Como avô da Matilde.
Como velhote de 80 anos.
Barrigudo, careca e com aquele bronzeado de fazer inveja a qualquer um.
O teu bigode.
O teu charme.
A tua capacidade de ser espinha dorsal na vida de quem te amava.
O teu sentido protetor.
O meu super herói.

E todos os teus defeitos, que eram tantos, desfazem-se em pó, rendidos ao poder das tuas qualidades.
Tiveste o poder de me fazer sentir a mais amada.
E o que há mais para além desse sentimento?

Sinto a tua falta. E sei que não estou só neste sentir.
Continuas vivo em tudo o que construíste com as tuas mãos.
Continuas vivo em todos os valores que me legaste.
Continuas vivo, porque é assim com aqueles que são incríveis a deixar a sua marca nesta vida.
E sabes, ouço falar de ti, pela boca de outros e percebo que fazes falta, não só a mim mas a todos que tocaste.

Não podia ter outro Pai. E se pudesse não queria.
Fazes-me falta.
Mas sei que estás presente. Sempre. Em tudo.

Parabéns por quem foste!
Parabéns por tudo o que semeaste!

80 pensamentos para ti neste dia.

P.S: Até já.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

17 anos de Matilde

Hoje é dia de festa!
Dia de agradecer por existires em mim e na minha vida.

Às 18h08 farão exatamente 17 anos que te vi pela primeira vez. 

Que nasceste e não choraste. 
Que nasceste e não reagiste.

Eras pequena, magra e cabeluda e o que sobressaía em ti eram os teus imensos olhos que diziam a quem os olhasse que não ías desistir. 

E que eu, tua mãe, também não podia desistir.

Chegámos aqui. 

Passámos várias fronteiras do que se diz ser possível. 
Não desistimos. 
Nem tu, nem eu.

Parabéns Matilde! Parabéns pelos teus 17 anos.

17 anos de diferença.
17 anos de perguntas, de medos e de conquistas.

Conquistaste o meu coração no dia que soube que estavas dentro de mim.

E outra vez no dia que soube que irias ser uma Matilde.
E outra vez no dia que em que te vi fora de mim.

Tens-me conquistado.

Com os teus sorrisos.
Com as tuas gargalhadas.
Com as tuas piadas.
Com a tua ingenuidade.
A tua franqueza.
Conquistas-me. Tanto.

E hoje voltas a conquistar-me.

Porque és especial.
Porque não há igual a ti.
E porque me dizes com toda a seriedade que eu sou FIXE e não queres outra mãe.

Parabéns a ti, minha querida Matilde!!

São 17 anos sem igual.
E sabes uma coisa? Amo-te mais do que no 1ºdia.

P.S.: Até já!




domingo, 1 de janeiro de 2017

Tempo de Avaliar a Vida

Dia 1.
Primeiro dia de 2017.
Penso no que quero. 
No que considero verdadeiramente importante.

Penso nos acontecimentos de 2016.
O que gostei. O que me fez bem. O que me magoou.

A vida é tão fugaz.
Tão rápida no querer. 
Tão lenta no acontecer.

2016 ficará para sempre marcado como o ano em que a minha filha descobriu como é viver sem epilepsia.
Livre. Normal. (dentro do que é considerada a normalidade desta vida).
E eu aprendi, mais uma vez, que sou mãe de uma filha que nasceu para me surpreender, para me cativar, para me explicar que a vida é tão mais do que aquilo que teimamos em reduzir.

Viver é por si só muito mais do que podemos querer ou pensar. 

A nossa limitação natural impede-nos de fazer mais por nós e pelos outros, de usufruir mais.
Condicionados pelos afazeres das horas, pelos sofrimentos que carregamos e pela falta de tempo para sonhar.

A vida vale a pena.
Pelas grandes coisas que nos oferece.
Pelos pequenos pormenores que acontecem.

2017 chegou.
Não sabemos o que nos traz.
Desconhecemos como vai ser.
Ainda assim vai valer a pena.
Pela surpresa dos dias.
Pela descoberta dos pormenores.

Desejo que este novo ano traga simplicidade no viver.
Sorrisos no sonhar.
Projectos ao acordar.
E que no fim de cada um dos 365 dias possa ter a certeza que dei o meu melhor com quem cruzou o meu caminho.

A vida vale a pena. Basta não desistir.

P.S: Até já!!




quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Parabéns Filha Matilde!

Minha querida Matilde!

Celebramos hoje os teus 16 anos.
Estás crescida! Linda! E vencedora!

Cada dia destes 16 anos tem um valor incalculável em esperança, esforço, luta e amor.
E é sobre o amor que te quero falar.

Nada há de mais importante do que o amor.
Tem sido o amor que nos tem feito andar para a frente, tem sido o amor que nos tem alimentado nas horas de angústia e desespero.

Conseguimos chegar aqui, aos teus 16 anos!
Quis desde o teu primeiro dia dar-te tudo, a alegria da vida, a perseverança, os sonhos e o amor.
Amo-te minha filha Matilde.
E por muito difícil que tenha sido chegar aqui, chegámos.


Baixar os braços foi ideia proibida.
Desistir, não consta do nosso dicionário.

És o fruto do amor de todos aqueles que de alguma forma participaram e te fizeram chegar aqui.
Amigos, família, professores, médicos, terapeutas,... têm sido preciso tantas pessoas para te fazerem chegar aqui.
E cada um com o seu amor, com a sua forma de te amar, têm-te apoiado, segurado, empurrado, levado ao colo, rido, chorado, têm-te amado.
(Nunca te esqueças de agradecer...)

O amor é de tudo, o mais importante.
E é isso que quero que guardes para ti.
Que és amada! 

Parabéns filha Matilde!

P.S.: E já pensaste que foi por um AMOR MAIOR que neste momento podes dizer que és livre, és tu própria e que te sentes bem?!




domingo, 20 de setembro de 2015

Mais uma voltinha...

Mais uma moeda,
mais uma voltinha no carrocel.

A minha querida filha vai para a Escola Secundária. Já?!!!
 
E porque a vida é feita de escolhas e opções, decidimos pôr mais uma moeda na máquina e comprar uma viagem para uma vida nova.

Pegámos em 9 anos de bagagem e dois cães e mudámos de casa, para mais perto da escola nova.
Para mais perto de uma vida nova.
 
As férias foram passadas nisto.
Cheias de ansiedade, stress e dores de costas.
Mas conseguimos!
Parámos uma semana e fugimos para longe de tudo.
Tentámos carregar baterias...
 
Consegui deixar de pensar que só voltarei a ter férias daqui a um ano e que estas passaram num fósforo, entre caixas, sacos e confusão.
Não descansei e não sei quando voltarei a descansar.
Mas não vale a pena deprimir, há que seguir em frente e aproveitar.
Viver nesta casa é como se tivéssemos de férias.
Ainda não sabemos bem o sítio das coisas e  é tudo diferente.
É bom!
 
E assim, cá vamos nós.
Escola nova.
Casa nova.
Vida nova.
Somos felizes.
E estamos prontos para mais uma volta no carrocel.
 
P.S: Até já. (Prometo ser mais assídua na escrita!!)
 
 

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Os pequenos nadas. Os pequenos tudo.

E a vida surpreende-nos. Sempre.
Abro a porta daquele carro que só tu conduzias e em que fomos felizes e únicos.
Únicos, porque carros daqueles só existiam nos filmes americanos antigos.
Felizes, porque de cada vez que o conduzias realizavas um sonho teu e fazias parar o mundo à nossa volta. Tocavas uma das "mil" buzinas e fazíamos um sucesso.
Todos olhavam. Todos acenavam. Todos sorriam.
E éramos felizes.
A música saía daqueles "cartuchos" gordos que compravas uma vez por ano na Feira da Luz.
Eu sentava-me à frente, ao teu lado e sem cinto!! Não era obrigatório...e mesmo que fosse, aquele carro não os tinha.
 
Fui visitá-lo no outro dia.
Abri a porta e cheirei.
(Porque há pequenos nadas que marcam...)
Não resisti e entrei, sentei-me e pus as mãos no volante.
O tempo recuou 100 anos e deixei-me ir.
 
Voltei a ter-te ao meu lado.
Senti-te vivo e fui feliz outra vez.
As lágrimas fugiram de mim, sem ordem, sem controle.
Nem me tentei controlar, porque quase 20 anos sem ti não são controláveis.
Deixei-me ir até já não haver mais nada.
Até perceber que estava no teu carro.
No teu sonho.
E perceber que estás sempre comigo.

Obrigada pela tua presença nos "nadas" desta vida.
Foste tanto, que continuas a existir.
Quero seguir as tuas pisadas. E ser como tu.
Perdurando no tempo e no coração de quem toco.

Até já!!
P.S: Queria ter-te escrito no Dia do Pai...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

15 Vivas a ti Matilde!! Com chuva. Com todo o amor.

E chove!
Tu bem disseste que ía chover no teu aniversário...

Já te disse que és a melhor coisa que me aconteceu nesta vida?
Já te disse que tens feito de mim uma melhor pessoa?

Tens me feito descobrir uma força interior que eu desconhecia existir.
Fazes-me ser grata no final da cada dia.
Fazes-me ser vaidosa de ti.
Fazes-me compreender o difícil.
Fazes-me querer viver mais.
Fazes-me querer contar a nossa história para quem nos ouvir poder descobrir que também é capaz!
Fazes-me querer gritar que o impossível se torna possível pelo amor, pela significância dos pequenos nadas.

És a minha bandeira. O meu estandarte.
És a peça do puzzle que completa o meu objetivo de vida.
Ainda bem que me escolheste para ser tua.
Ainda bem que nasceste de mim.
Se assim não fosse continuaria a procurar-te na essência da vida.
Na minha insatisfação natural, na procura dos porquês que dão sentido aos dias.
Mas sem saber, és tu a resposta.
Foste concebida em mim e nasceste para mim.
Que mais posso desejar?
És um milagre.

E quando no fim eu me perguntar se valeu a pena, vou responder-me "que tudo vale a pena quando a alma não é pequena", tal como o dizes desde que aprendeste Fernando Pessoa no 4ºano...
E sim, porque contigo aprendi a descobrir que só com alma e coração disponível é possível.

E chove!
Tu bem disseste que ía chover no teu aniversário...
És a minha miúda da meteorologia.

És o que de melhor há, Matilde. Em mim. Na vida.
A.m.o.t.e!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Ler o coração...

"...A boca fala do que o coração está cheio..."

Se o coração está cheio de nada... a boca fala de nada.
E o nada é suficiente para tanta gente.
Enquanto se fala de nada, não se fala do que realmente importa.
O coração está cheio de sonhos por realizar.
De momentos vazios.
De conquistas falhadas.
Enquanto se fala de nada, não se faz nada. 

Ler o coração dos outros dói.
Passa a conhecer-se aquilo que nem sempre se quer...
Nem sempre é o que esperamos.
E ainda dói mais quando pensamos que já sabemos tudo e não sabemos nada.
Volta-se a falar de nada.
Enquanto se fala de nada, não se fala do que realmente importa.
Quando se fala de nada, não se faz nada.

Ler o coração. 
Ler a vida.

O coração está vazio.
A vida é vazia.
As horas estão cheias de nada.
E os dias passam-se com nada. 

O que há para ler?

P.S: Até já.




segunda-feira, 17 de novembro de 2014

41 anos! 41 voltas e reviravoltas!

A minha vida deu 41 voltas.
Uma por cada ano.


Acontece tudo ao mesmo tempo.
Quase que não dá para respirar.
Não dá para pensar.
Para decidir.
Para escolher.

A vida pediu-me ajuda.
E eu aceito o desafio.
Sem medo.

É o dia dos 41.

As palavras chegam.
Os sorrisos.
Os votos de felicidade.
E alguém me agradece.
"Obrigado."
"Obrigado por seres quem és. 
Por seres como és."
"Obrigada por me deixares ser tua amiga".
Obrigado é bom de ouvir e enche o coração quando é sincero e real.

Apercebo-me que outros desaparecem, sem agradecer, sem nada dizer. 
E eu que achava que me fariam falta...
Mas não fazem. Nenhuma.
Há pessoas assim. 
Que por ainda respirarem não se apercebem que já morreram. 
Ficaram secas e gastaram-se.

Celebro os 41.
De maneira simples.
Mas feliz.
Completo-me com os que me rodeiam.
E percebo que os grandes sonhos, os anseios que me perseguiam foram alcançados.
A minha missão cumpre-se.
Nos pequenos nadas da vida.
Nos sorrisos e cumplicidades de quem me aceita.

Sou amada por quem sou.
O que quero mais?

41 reviravoltas loucas.
E parece-me que mais uma vez consegui cair de pé.

Obrigada a quem me merece. 
E que me tem feito ser quem sou.

P.S: Até já!

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Decisões

Desde junho de 1999 que as decisões difíceis se têm prendido contigo.
Com o teu bem-estar.
O brilho do teu olhar.
A tua felicidade.
Sempre com o que é melhor para ti.
Quero que continue assim.
És tu que importas.
É a ti que tenho que defender.
 
Pedem-me novas decisões.
Decisões que certamente irão influenciar o teu futuro.
Pergunto onde fica o limite entre o bom senso e o meu sentimento de proteção para contigo?
Onde termina o entendimento e começa o coração?
 
Quero o melhor para ti.
Quero proteger-te sempre, sabendo que isso não é possível nem humano.
Isto de não se ser perfeito e não se ser detentor do poder é uma chatice.
Não conseguir prever o futuro e as consequências de cada ação também é uma chatice!!
 
Continuo a amar-te como da 1ªvez, quando percebi que estava apaixonada por ti e me questionei como é que uma menina como tu, tinhas sido gerada dentro de mim...
Nesse dia dei-te o meu coração.
 
Volto a fazê-lo hoje.
Acreditando que as decisões que tenho tomado para a tua vida têm sido as certas.
Que continuarás a ser feliz.
E que se te dessem a escolher outra mãe voltarias a decidir por mim!!
 
Até já!
 
 
 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

De pés no chão

Pés no chão.
É preciso voltar a pôr os pés no chão. Aterrar.
 
Daqui a nada volto a casa, ao meu ninho e, 2 dias depois volto à realidade.
Deixam de existir os dias sem horas.
Sem rotinas obrigatórias.
Livros de 1083 páginas, lidos quase de seguida, sem ninguém reparar.
Mergulhos de piscina só para refrescar.
Visitas de amigos, que me fazem sentir antiga e acarinhada ao mesmo tempo... (eles sabem quem são!!!)
 
A ementa muda.
Sandes de pasta de atum com alface e tomate e  copos de groselha fresquinha!
Gelados fora de horas.
Figos apanhados ao sol e comidos com dedos pegajosos.
 
Sonhar acordada à conta dos 8 livros que devorei...
Jogos de dominó e cartas até a derrota me vencer.
Rir e "gargalhar a bom gargalhar" à conta das palermices ditas pela minha filha.
 
Ser surpreendida pela profundidade do pensar e do sentir da  miúda que saiu de dentro de mim.
 
Ser surpreendida pela vida. Mais uma vez.
Sem saber o que me espera.
Resta-me esperar pelo que me espera.
 
Hora de aterrar. "Srs. Passageiros...
Hora de aterrar. E aguardar.
 
Até já.
 
 
 
 
 

terça-feira, 13 de maio de 2014

17 anos no mesmo lugar...

Nunca pensei trabalhar 17 anos no mesmo sítio.
As mesmas colegas.
Algumas vezes as mesmas famílias.

Trabalhar com crianças é, sem dúvida, um previlégio.
E realizar que se imprime valores nas suas vidas.
Se criam relacionamentos duradouros. É obra.

As crianças são o melhor do mundo!?
Talvez sejam, de vez em quando.
Também sabem ser cruéis, chantagistas e pessoas grandes em corpo de gente pequena.
São, sem dúvida, um osso duro de roer!!

Cada vez observo mais a dificuldade que os pais têm em ser pais, sobretudo, bons pais.
Pais presentes, que amam incondicionalmente, altruístas e disponíveis a esse papel...

17 anos...
Muitas gargalhadas, misturadas de lágrimas.
Muitos "patrões" diferentes, com linhas de pensamento contrárias entre si.
Já assisti a tudo. Já vivi de tudo.
Divórcios.
Adopções.
Doenças.
Curas.
Birras.
Até a morte, já se fez notar...

Sorrio, quando os vejo.
Crescidos.
A conduzir.
Senhores da sua vida.
E mesmo assim, procuram-me.
Fazem-me rir, 
Preocupam-me. 
Desabafam e ainda me ouvem...
E eu também desabafo e aprendo.
Continuo a crescer com eles.
Desejando acima de tudo, que sejam felizes e se sintam realizados enquanto pessoas.

Chegam-me as lágrimas quando os vejo, já pais.
Adultos.
E lembram-me que o tempo passa.
Passa rápido, em demasia.
Ficam as recordações, os episódios que cada um construiu à sua maneira e que não se apagam da minha memória.

Escolhi a profissão certa. 
Apesar de tudo.

Até já!




quarta-feira, 19 de março de 2014

O meu PAI...

Ser Pai não significa ser o melhor amigo.
Ou melhor, até significa. 
Sendo que de uma forma diferente daquilo que os filhos querem.
Os filhos querem o Pai como melhor amigo, o melhor amigo da vida fácil e sem condenação, afinal é amigo...
O Pai é e será sempre o melhor amigo do seu filho, simplesmente porque quer o melhor para ele e não porque facilita.

Verdade só compreendida por alguns e por vezes já fora do tempo.

"Dou-te a enxada e ensino-te a cavar. O resto fazes tu."
Ouvi isto tantas vezes. Tantas. E dava tudo para continuar a ouvir a voz que me dizia estas palavras e que me ensinou a vivê-las.
O meu Pai.

O meu Pai não era perfeito, mas era perfeito em muitas coisas.
Esforçado até ao limite.
Exigente com os outros, mas em 1ºlugar exigente com ele próprio.
Tinha valores.
Vivia o que acreditava. Viveu-o até ao fim.

Sempre achei que o meu irmão mais velho era o preferido, o escolhido.
Eram compinchas, andavam sempre juntos, de moto, de carro, de barco, sempre juntos.
Os melhores amigos.
As exigências eram poucas (a meu ver).

Eu, era a menina. 
Fazia coisas de menina e aprendia as coisas que as meninas tinham de saber fazer.
Portava-me bem.
Desejava agradar-lhe, acima de tudo.
Ele era o meu herói.
O homem da minha vida.
E procurei-o nos outros.
Nos namorados e nos maridos.
E duramente tive que aprender, sózinha, (porque ele já cá não estava para me ensinar), que como ele só tinha havido um.

Morreu o meu Pai.
E parte de mim morreu com ele. Uma grande parte.

Faz-me falta. Todos os dias.
Para me proteger dos males desta vista. 
Das pessoas que me atormentam e me angustiam.

Olho para o meu irmão. 15 anos mais velho do que eu.
E sou obrigada a ver que o Pai ainda lhe faz mais falta a ele.
A mim deu-me a enxada. Ensinou-me a cavar.
A ele deu-lhe a amizade, sem limites.
A mim deu-me os exemplos. As regras. Os castigos.
Deu-me a pessoa que sou hoje.
Obrigada Pai. 
Sem saber foi o meu melhor amigo. E acredito que ainda o compreendi a tempo.

Nunca esquecerei o que me disse em Abril de 1995, "o cordão umbilical está a partir-se".
Afinal, nem a morte o quebrou.

P.S: (Agora sei que era a menina dos teus olhos.)

Até já!


segunda-feira, 17 de março de 2014

E se...

Se eu não me chamasse Gaby, chamava-me Patrícia.
Se eu não fosse Educadora, era Juíza.
Se eu não fosse gorda, era magra.
Se eu deixasse de comer doçarias, era menos feliz.
Se eu não fosse feliz, não valia a pena viver.

E se...
E se nada!
Se me preocupasse menos, não me zangava tanto.
Se deixasse passar em branco o que me atormenta, a vida deixava de ter sabor.
Se não escrevesse aqui que há pessoas com o coração feio, não estava a ser realista.
Há pais que não gostam dos filhos.
Há mentirosos que acreditam em si próprios e em mais ninguém.
E há espertos que pensam que os outros são burros e que acreditam nas suas "tretas".

Enfim... isto de se ser sensível, tem muito que se lhe diga e ser inteligente às vezes também não serve de grande ajuda.

Mas pronto, fica aqui a minha indignação para quem utiliza a palavra crise para desculpabilizar todos os seus atos, incluíndo deixar de pagar a pensão de alimentos da filha ou perder o seu património.

Mas prometo, que vou continuar a chamar-me Gaby.
Vou continuar a comer "chicolates".
Vou tentar ser magra.
Loura.
Alta.
E um pouco menos inteligente.
Talvez assim não sofra tanto!

Até já!


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

1, 2, 3 e 14!

Querida Matilde,

Celebrar o teu aniversário não deixa nunca de me comover.
Sou obrigada a lembrar tudo o que já passaste.
Tudo o que me foi dado a assistir, a participar.
As lágrimas fogem dos meus olhos. 

Questiono sempre se poderia ter feito mais.
Mas a resposta é não. 
Talvez pudesse ter feito melhor, mas mais sei que não.
Deito-me a pensar em como te posso ajudar amanhã.
E depois e depois.
Um dia de cada vez.
Tem sido assim.
Desde o princípio.
E já passaram 14 anos.

Já não preciso de calendário para medir a passagem do tempo.
A velocidade a que os meus cabelos brancos teimam em crescer, escapando à tinta que uso para os esconder, é medida suficiente para me dizer que os dias, as semanas, os meses, os anos, a tua 1ª década, passaram "num piscar de olhos"!

Assisto às tuas primeiras amizades.
Às horas passadas em frente ao espelho.
Onde cantas e danças.
Divertes-te.
Ris-te.
E eu rio-me contigo.

Tento moldar-te e tornar-te sociável, para seres aceite.
Para passares despercebida.
Para seres feliz.
Sim.
Tem sido a minha maior luta.
Ajudar-te a SER FELIZ!!!
Porque sei que se fores feliz, tudo o resto será mais fácil de viver.

Parabéns Matilde!
És a minha Princesa.
E se é amor tudo isto que temos vivido, então estou eternamente apaixonada por TI!

Vive e sê feliz! 

Até já!

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

2014

2012 foi o ano em que descobri o significado da palavra COMPAIXÃO.
E quando digo compaixão não é o ter pena do outro, do mais fraco. Nada disso.
Ter compaixão é conseguir ver mais longe, para lá da circunstância atual e ser capaz de investir na vida de alguém que naquele momento preciso necessita de colo.
 
2013 fez-me compreender o que é SERVIR.
Servir quem amo.
Servir quem não conheço.
Servir quem me é anónimo.
 
Servir é dedicar.
Servir é investir tempo.
Servir é ouvir.
Servir é apoiar.
Servir é abraçar.
Servir é estar disponível.
Servir é ...
 
2014 será o ano de todas as mudanças?!
Acredito que sim.
E ainda que daqui a 365 dias pouco tenha mudado na minha realidade, que eu possa ter mudado para melhor e que de alguma forma possa ter feito mais feliz quem me rodeia.
Isso bastará para dizer que valeu a pena.
 
Até já!